Uso de Acupuntura no tratamento de animais com paraplegia


Tratamento de aracnídeos, segundo veterinário, é o primeiro no mundo e será apresentado em congresso internacional

A cachorro-do-mato fêmea Dori, atropelada no fim do ano passado, chegou ao Zoológico de Brasília com trauma no crânio, torcicolo e só conseguia andar em círculos. Após dois meses de sessões semanais de acupuntura veterinária, aliadas à medicação para o trauma, Dori está recuperada. O pescoço está ereto e o andar, em linha reta. Ela é mais um dos animais que puderam se recuperar de patologias e traumas graças à terapia com agulhas, oferecida no Zoológico regularmente há um ano.

O zoo de Brasília é o primeiro do país a introduzir a terapia em seu quadro. O veterinário, que trabalha de forma voluntária no Zoológico, atende semanalmente todos os animais que precisam de tratamento. Antes, tratava apenas os casos mais problemáticos.

Outro tratamento bem-sucedido é o de uma tarântula com problemas de pele. De acordo com relatos dos veterinários, a aranha perdia os pelos com facilidade e apresentava crostas esbranquiçadas no corpo. Após passar por três sessões, em intervalos de 15 dias, o aracnídeo recobrou a pelugem e a cor normal. Hoje, recebe a terapia uma vez por mês.

"As aranhas, por incrível que pareça, são os pacientes mais calmos", explicou o veterinário responsável pela terapia nos animais. Segundo o médico, o caso é o primeiro do mundo em tratamento de aranhas com acupuntura e será apresentado em um congresso internacional em Taiwan em agosto deste ano.

Fagundes explica que a acupuntura veterinária é indicada como terapia complementar para qualquer patologia em qualquer animal. "Os casos mais comuns são os osteoarticulares, mas também é possível tratar pneumonia, insuficiência renal, etc", disse. "Não abrimos mão do tratamento convencional, mas a acupuntura trata o animal de maneira mais natural, sem intoxicá-lo com medicação", completou.

O macaco bugio Chokito, por exemplo, precisa curar uma gastroenterite. Já passou por uma cirurgia e ainda não registrou melhora. Agora, vai para sua segunda sessão de acupuntura, combinada com fitoterapia.

As agulhas também podem ser usadas para combater o estresse. Uma cobra píton jovem, resgatada de condições bastante irregulares e cruéis – estava sendo transportada em uma caixa de Sedex –, passou a não se alimentar em função do trauma. O tratamento começou na semana passada, e a expectativa é que se alimente em breve. "Os animais respondem rápido ao tratamento", explicou .

Os trabalhos no Zoológico são regularizados por meio de contrato, em um ambulatório exclusivo. Os funcionários selecionam os animais que necessitam do tratamento complementar e os preparam para receber as agulhas ou injeções. Em casos de animais maiores ou mais arredios, é necessário usar um sedativo antes. Em situações de animais de grande porte, como tigres, em que o próprio processo preparatório pode ser estressante, há a possibilidade de se fabricar um dispositivo de ouro, que estimulará permanentemente o ponto necessário.

Fonte: 
http://www.df.gov.br/

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